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Página Inicial Cotia-SP, 24 de Maio de 2017



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Rancho dos Gnomos Retrô 2005



por Renata de Freitas Martins - Advogada Ambientalista



2005, ano intenso!



Parece-nos que o tsunami que atingiu nosso planeta logo no início do ano estava por anunciar a intensidade dos acontecimentos em 2005.

Aliás, infelizmente, a cada ano que se passa, muito mais a ser feito nos resta, em uma longa e intensa caminhada em prol da vida em nosso planeta, já que nosso tempo é cada vez mais curto (perdemos vidas a cada segundo em uma progressão assustadora!). A conscientização parece estar cada vez mais difícil de ser colhida em um mundo cada vez mais individualista, umbilical, em que cada um só pensa em si mesmo e em tirar proveitos próprios.

Porém, gratas são as exceções. Ademais, aceitamos os desafios e nunca desistimos de nossa missão, confiantes em cada semente plantada pode e deve produzir muitos frutos, fortalecendo a caminhada da vida, possibilitando a vida e, finalmente, caminhando para um mundo melhor, com respeito, dignidade, harmonia, liberdade, igualdade e fraternidade. E esse foi nosso ano de 2005. Mais um!

Maus exemplos partindo de dentro do governo, que além de prováveis mensalões, mensalinhos, land-rovers, contratos fantasmas e afins, tem em seu aparato "fome zero marqueteiro" o incentivo a rinhas de galos, trazidas, por suas propagandas, como um hobbie (e daí?)... Conseqüência? O recebimento pelo Rancho dos Gnomos de tantos galos utilizados em rinhas que até já perco a conta. Animais com graves problemas de saúde, feridos, mutilados, "bombados" e até mesmo com problemas neurológicos. Felizmente, muitos recuperados e agora exercendo suas vidas naturais de galos: ciscando o dia inteiro, livres, e juntos! Sim, juntos! Galos não nasceram para brigar e vivem juntos tranqüilamente, por mais que isso possa ofender os senhores galistas!

Mau exemplo também vindo diretamente do horário nobre da televisão: eis o incentivo aos rodeios em uma novela. Assim, rodeios que estavam seguindo seu caminho natural aqui no país, qual seja, a provável abolição, foram incentivados como algo da moda e tivemos que lidar com notícias de dois ou três rodeios por final de semana. Muito trabalho à vista, com diversas ações civis públicas em andamento. Muito estresse, com processo sendo furtado de fórum, promotores precipitados, citação rendendo-me uma esporada no rosto (que meigo, mas marca deixada e até ostentado com um certo orgulho, pois, apesar dela, eis um rodeio a menos!), porém, diversos ótimos resultados em juízo, especialmente aqueles em que se proibiram utilização dos instrumentos torturantes como sedéns, esporas, peiteiras e polacos, bem como de provas de laço. Novela passageira. Decisões judiciais não!

Pitbulls, Rotweillers e algumas outras raças de cães estereotipadas pela grande imprensa manipuladora de massas. Ano em que me parece que o Rancho bateu recordes em recebimento de animais dessas raças, abandonados à própria sorte na região de Cotia. Mas não se trata de problemática apenas local... talvez até mesmo mundial. Algum problema comportamental com os animais? Hummm.. eles latem, comem, brincam... Talvez o maior problema, aliás, seja o excesso de alegria e vontade de brincar que possuem. Focinheira neles? Claro que não! Focinheira sim em quem fala sem saber, talvez, inclusive, ajude a evitar tais falas preconceituosas e sem conhecimento técnico e prático algum.

E enquanto esses corriqueiros abandonos de raças "mortais" (só se for porque nos deixam mortos de tantas brincadeiras!) ocorrem por preconceito, o abandono de cães e gatos das mais variadas raças aumenta cada vez mais pela falta de consciência, educação e conhecimento de preceitos básicos para a guarda responsável por parte da população. Ninhadas e mais ninhadas abandonadas no portão do Rancho dos Gnomos no ano de 2005. Também é inacreditável o número de particulares que têm como estranho desejo a manutenção de animais silvestres como se domésticos fossem. Recebemos vários desses animais, logicamente sempre encaminhados por órgãos oficiais. Inacreditável também o número de animais (gambás, ouriços, macacos, veados, aves mutiladas por estilingues e cerol em linha de pipas etc.) encaminhados ao Rancho dos Gnomos vitimados pela crescente interferência antrópica em seus ambientes naturais.

Educação e acesso à informação faz-se necessário? Sim. E lá estivemos nós atuando arduamente neste campo. Trabalho já corriqueiro com crianças, nesse ano especialmente com as quarta-séries do colégio Santo Américo e grupo de jovens da Igreja Adventista. Trabalho com adultos, especialmente com o pessoal engajado da empresa NEC, que neste ano, inclusive, apoiou os trabalhos educacionais do Rancho. Trabalho desafiador com pessoas portadoras de deficiências físicas e mentais e diversas outras necessidades especiais. Trabalho do dia-a-dia informativo à população local. Trabalho semanal em comunidades. Cidadania em foco. Do que adiantaria trabalhar apenas a educação ambiental se o problema social é muito mais amplo e necessita de atenções e trabalhos integrados? Exercício de cidadania, orientação jurídica, psicológica, social, física: tudo é necessário. Trabalhamos atentamente neste sentido, afinal de contas amamos os animais: racionais e irracionais e acreditamos na inter-relação entre tudo e todos!

Também fomos privilegiados em poder fazer parte de grupos de discussões e intercâmbio de informações primorosos e muito valiosos para nosso desenvolvimento, formados em eventos que participamos como palestrantes e ouvintes no ano que passou: Seminário sobre circos realizado em Brasília sob a organização da Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal dos Deputados; Seminário sobre Direitos dos Animais realizado em Florianópolis/SC sob a organização do Instituto É o Bicho; Conferência Internacional Metrópoles Saudáveis, em São Paulo, sob organização do PROAM (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental); Semana Mundial dos Animais, em São Paulo, organizado pelo Instituto Nina Rosa, dentre outros.

Inúmeras também as reuniões participadas, com especial destaque àquelas em que o foco foi a questão dos leões considerados excedentes no país, ocorridas no próprio Rancho dos Gnomos, com participação inclusive internacional da diretoria da WSPA e também no IBAMA/SP.

E se falamos em leões excedentes, improvável não nos lembrarmos dos animais em circos, aliás, essa a origem dos citados leões. O recebimento de denúncias sobre maus-tratos de animais em circos foram intensos durante todo o ano. Sendo esse um de nossos principais focos de trabalho, dentro de nossas possibilidades, uma a uma das denúncias atendidas, encaminhadas ou orientadas. Mais alguns processos em andamento. Leões de Rifaina recebidos pelo Rancho. Leão do Rio também (xiii.. aqui desobedecemos o código que nem é tão protetivo assim). Para tanto, recintos novos para os leões e para os veadinhos graças à colaboração de alguns anjos que cruzaram nossos caminhos. Além disso, eis um ambulatório para o Rancho, possibilitando mais estrutura ao atendimento dos milhares de animais sob sua responsabilidade - seja os que por cá vivem, seja os que são praticamente diariamente trazidos pela população carente ou pelos órgãos oficiais que, na praticamente total inoperância do Estado quando o assunto é fauna, transfere a responsabilidade à sociedade civil. Transfere, mas não colabora! (fácil, não?)

Ainda na questão animais em circos, o trabalho de lobby junto a diversos legislativos Brasil afora foi intenso. Elaboramos parecer sobre o assunto e percorremos muitos e muitos gabinetes em busca de resultados em prol dos animais. Dentre os sucessos: São Caetano do Sul, cidade de São Paulo, manutenção da lei em Avaré, Florianópolis, dentre outras. Aliás, a lei da cidade de São Paulo foi responsável por um grande incômodo aos circenses, e que nos fez trabalhar com grande empenho em um abaixo-assinado em prol da lei municipal, bem como contra a presença de animais em espetáculos circenses, o qual prossegue até então e se une a outros que já existiam anteriormente.

Algumas também as situações inéditas no Rancho: o recebimento de 100 chinchilas apreendidas em local inacreditável e que seriam utilizadas para o abastecimento da indústria peleteira, o que nos fez estudar o assunto mais a fundo , além do resgate e atendimento de um galináceo utilizado em prática chamada de religiosa e que se encontrava em estado de saúde absurdamente indigno e inaceitável.

Enfim, eis brevemente relatada nossa colaboração pela vida no ano que se passou. E esperamos que o ano de 2006 seja tão intenso quanto o ano anterior, porém com resultados cada vez mais proveitosos e úteis aos animais.

Que Botswana, Lirow, Pipoca, Júnior, Tuca e todos os irmãozinhos que deixaram este planeta no ano que passou estejam olhando por seus iguais e nos dando forças!

E viva os animais! Viva a VIDA! Viva as cerca de 10 mil vidas poupadas em São Bernardo do Campo, onde conseguimos liminar impeditiva da matança de animais sadios no CCZ local em ação civil pública, e que continua valendo a todo vapor, pois apesar dos diversos recursos em prol da tal "eutanásia" por parte da municipalidade, chegando inclusive à Brasília já, não conseguiram justificar esse insano e inútil ato! :)

Prossigamos neste compasso em 2006! Contamos com todos vocês!!!