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Página Inicial Cotia-SP, 22 de Julho de 2017



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Rodeios
 

Finalmente abordemos uma das atividades que geram grandes lucros e diversão a cidades inteiras, as custas de animais, o que ocorre no caso de rodeios.

Quem apóia estas práticas defendendo suas atividades, diz que não há maus-tratos aos animais que, pelo contrário, são animais caros e por isso mesmo são bem tratados e alimentados. Mas será que um animal salta “loucamente” ou fica tão bravo e arredio sem motivo algum?

Indubitavelmente que os animais sofrem maus-tratos e estresse demais nesses eventos, principalmente porque são atividades que visam lucros, verdadeiras indústrias da música sertaneja, e que somente terão sucesso às custas dos animais utilizados e do “show” produzido, com os seres humanos tentando mostrar-se superiores aos animais, tentando dominá-los como “homens das cavernas”.

A realização de rodeios tem trazido grandes discussões em juízo, tendo muitos deles sido cancelados, pelas provas incontroversas de que causam maus-tratos aos animais.

Os organizadores de rodeios alegam que o animal trabalha apenas por oito segundos, como se não houvesse centenas de horas de treinos, muitas vezes, com o mesmo animal. Eles contestam também que os animais utilizados são selvagens e que pinoteiam por índole. Caso fosse verdade o sedem não seria necessário e o animal não pararia de pular após a retirada do mesmo.

São utilizadas verdadeiras ferramentas de tortura para causar estímulos aos animais, como agulhadas elétricas, um pedaço de madeira afiado, unguentos cáusticos e outros dispositivos são usados para irritar e enfurecer os animais usados nos rodeios, com o objetivo de mostrar um "bom show " para a multidão. Os instrumentos mais utilizados têm sido:

- Sedem ou sedenho: é um artefato de couro ou crina que é amarrado ao redor do corpo do animal (sobre o pênis ou o saco escrotal) e que é puxado com força no momento em que o animal sai à arena. Além do estímulo doloroso pode também provocar rupturas viscerais, fraturas ósseas, hemorragias subcutâneas, viscerais e internas e dependendo do tipo de manobra e do tempo em que o animal fique exposto a tais fatores, pode-se evoluir até o óbito;

- Objetos ponteagudos: pregos, pedras, alfinetes e arames em forma de anzol são colocados nos sedenhos ou sob a sela do animal;

- Peiteira e sino: consiste em outra corda ou faixa de couro amarrada e retesada ao redor do corpo, logo atrás da axila. O sino pendurado na peiteira, constitui-se em mais um fator estressante pelo barulho que produz à medida em que o animal pula;

- Esporas: às vezes pontiagudos, são aplicados pelo peão tanto na região do baixo-ventre do animal como em seu pescoço, podendo provocar lesões e perfuração do globo ocular em grande parte das vezes;

- Choques elétricos e mecânicos: aplicados nas partes sensíveis do animal antes da entrada à arena;

- Terebentina, pimenta e outras substâncias abrasivas: são introduzidas no corpo do animal antes que sejam colocados na arena, para que fiquem enfurecidos e saltem;

- Golpes e marretadas: na cabeça do animal, seguido de choque elétrico, costumam produzir convulsões no animal e são os métodos mais usados quando o animal já está velho ou cansado, com a finalidade de provocar sua morte.

Todos estes recursos que fazem o animal saltar descontroladamente, atingindo altura não condizente com sua estrutura, resultando muitas vezes em fratura de perna, pescoço e coluna, distensões, contusões, quedas, etc.

Segundo a Dra. Irvênia Prada 1, que foi por muitos anos Professora Titular da Faculdade de Medicina da USP e tendo mais de uma centena de trabalhos publicados em Anatomia Animal, ao observar as fotos dos animais em plena atividade no rodeio declarou:

"os olhos dos animais mostram uma grande área arredondada, luminosa, consequente à dilatação de sua pupila. Na presença de luz, a pupila tende a diminuir de diâmetro (miose). Ao contrário, a dilatação da pupila (midríase) acontece na diminuição ou ausência de luz, na vigência de processo doloroso intenso e na vivência de fortes emoções (medo, pânico..) e que acompanham situações de perigo iminente, caracterizando a chamada Síndrome de Emergência de Canon. No ambiente da arena de rodeio, o esperado seria que os animais estivessem em miose, pela presença de luz. Assim, a midríase que exibem é altamente indicativa de que estejam na vigência da citada Síndrome de Emergência, o que caracteriza o sofrimento mental."

O médico veterinário Dr. C.G. Haber, que passou 30 anos como inspetor federal de carne, trabalhou em matadouros e viu vários animais descartados de rodeios sendo vendidos para abate. Ele descreveu os animais como

"tão machucados que as únicas áreas em que a pele estava ligada à carne eram cabeça, pescoço, pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas quebradas à partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu vi de 2 a 3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele solta. Estes ferimentos são resultado dos animais serem laçados nos torneios de laçar novilhos ou quando são montados através de pulos nas luta de bezerros."2

Embora os cowboys de rodeio voluntariamente arrisquem-se a sofrer injúrias nos eventos em que participam, os animais que eles usam não têm esta escolha. Em 1986, no rodeio de Calgary, em Alberta no Canadá, um dos maiores rodeios da América do Norte, oito cavalos foram mortos num acidente numa corrida de carroças 3.

As regras da associação de rodeios não são eficazes na prevenção de lesões e não são cobradas com rigor, nem as multas são severas o bastante para evitar maus tratos. Por exemplo: se um bezerro é ferido num torneio, a única punição é que o laçador não poderá laçar outro animal naquele dia. Se o laçador arrastar o bezerro, ele poderá ser desclassificado. Não há regras protegendo os animais durante as provas e não há nenhum observador objetivo ou exames requisitados para determinar se um animal foi ferido num evento 4.

Assim, pelo breve exposto, não há dúvidas de que rodeio trata-se de atividade de exploração econômica, na qual os maus-tratos aos animais são regra, e devendo-se, portanto, serem proibidos.

1 Prada, Irvênia. A alma dos animais.Mantiqueira. Campos do Jordão: 1997.

2 Human Society of the United States, interview with C.G. Haber, DVM (Rossburg, Ohio),1979

3 "Rodeo :American Tragedy or Legalized Cruelty?" The Animals Agenda, March 1990

4 Schmitz, Jon "Council Bucks Masloff’s Veto On Rodeo Bill" Pittsburgh Press, Nov27, 1990

(texto em colaboração - Renata de Freitas Martins - Advogada Ambientalista)